Breve Biografia II
Escrevi esse texto faz meses quando eu nem tinha blog ainda. Enviei ele pra pessoas que eram muito importantes na época… Aqui vai ele um pouco modificado para caber melhor no contexto blog.
Nesse fim de semana eu não estava suportando tudo, e fui pra casa dos meus pais. Minha mãe não tocou no assunto, mas a cada momento ela percebia como eu estava e tentava me fazer sentir bem da maneira que fosse. No domingo, saímos pra um restaurante em SBC onde a gente vai desde que nos conhecemos por gente, comer Filé a Cubana, polenta frita e outras comidas típicas de SBC e dos imigrantes italianos que moram lá. O preço daquilo aumentou que é um absurdo, quando chegamos lá só tinha de Corolla pra cima estacionado, pasmamos pra caralho, e tá muito caro comer lá, saiu 100 conto o almoço de família. Mas valeu a pena, aquele lugar me traz muitas lembranças de quando eu era pequena. Costumávamos brincar de pega-pega e subir nas árvores que têm do lado de fora do restaurante, o clima estava eternamente nublado, mas o vento que vinha da serra tem um aroma muito bom… A comida sempre teve o mesmo gosto, e fiquei feliz em prová-la de novo; o suco de laranja nas jarrinhas de vidro, colocado no copo de buteco… Os quadros do centenário da imigração da família Morassi, que foi em 88, nas paredes… as fotos estão perdendo a cor, mas são as mesmas desde que conheço aquele lugar. As janelas brancas com rede pra não pegar mosquito, o papel manteiga na mesa em cima de toalhas brancas e uma toalha vermelho escura… os garçons de meia idade, as garrafas de pinga com frutas em conserva pra dar um gosto diferente nelas, os retratos de Jesus e Maria em cima dos banheiros, o salão gigantesco e a televisão com antena ruim enternamente ligada na Temperatura Máxima. Passava Bug’s Life dessa vez, costumava passar coisas como Loucademia de Polícia. Depois de sairmos, passamos na frente de um dos lugares que já moramos, uma porção de prédios do CDHU perto de lá; morei lá quando eu tinha meus 3 anos, foi lá que eu ganhei o Meu Primeiro Gradiente e comecei a gostar de cantar. Eu dublava a Xuxa e o Blitz, adorava as músicas deles… Meu pai fazia compras num atacado, e a gente bebia muito daquele suco de lata Lanjal, também tinha a batata frita CAC que vinha com um porta batata gigante igual ao do Mc Donalds! Eu ensinava a minha irmã a jogar papel higiênico no vaso e passávamos o dia brincando de Super Massa, com o conjunto da Família Adams e bonecos que você enfiava massa pra crescer o cabelo. Meu pai voltava do serviço e ficava assistindo novela com a gente, brincando de colocar os pés dele no nosso quadril com ele deitado, segurar os braços e levantar a gente, como se estivéssemos voando… Depois dali moramos nos fundos de um lugar perto da Nestlé de SBC, onde eu ganhei meu balde de Lego e assisti o primeiro capítulo de Glub Glub. O tempo era sempre nublado, mas quando estava sol colocávamos bikini pra ficarmos com menos cor de doente. Tinha uma bananeira na vizinha do lado que as bananas sempre ficavam no nosso quintal; eu não conseguia alcançá-las por serem altas demais e minha mãe sempre as colhia e as levava pro vizinho. Tínhamos uma máquina de lavar daquelas de por roupa na lateral, ela sempre saía andando quando funcionava. Tínhamos 2 motocas, a minha era vermelha, azul e branca; a da Celes era branca e rosa, elas eram de plástico e faziam muito barulho quando andávamos com elas. Nossa piscina particular era o tanque, vira e mexe tomávamos banho lá durante o verão. Os fundos da casa do cara eram mais ou menos assim: tinha a casa dele, que era enorme; subia uma escada, chegava numa kitnet onde vivia uma velhinha, ela morava sozinha e de vez em nunca os filhos visitavam-na. Depois tinha mais uma escada e chegava na nossa casa. A casa era bem antiga, o piso era de taco e eu adorava ficar sentada arrancando os pedaços que saíam. Eu também tinha uma boneca da Xuxa que eu adorava tacar na parece pra ver como ela caía. Foi nessa época que eu ensinei a Celes como se ligava a televisão, me lembro até hoje. Eu ia pra EMEI e a Celes não deixava eu ir, ela ficava chorando que nem louca no portão me segurando, com medo de que eu não voltasse mais. Eu sempre choro quando lembro disso, nós éramos unidas como nada pode ser nesse mundo, e somos até hoje. Só preciso olhar pra ela pra saber como ela se sente, e o mesmo vale pra ela com relação a mim. Neste fim de semana, ela também não tocou no assunto.
Tenho tantas lembranças de tanta coisa boa na minha vida! Minha infância, apesar de solitária, foi incrível porque eu criei um mundo a parte só feito de mim, dos meus pais e da minha irmã. Não era necessário nada mais, tínhamos nossa felicidade plena. Nisso eu cresci… e percebi que, infelizmente, eu não poderia me fechar numa bolha. Eu precisava começar a me relacionar com as pessoas. Dizem que toda criança com QI alto tem problemas com isso, então não me sinto tão deslocada no mundo. Foi quando, ao mesmo tempo, eu descobri o que era sofrer. Descobri que não há lugar no mundo pra inocência, pros sentimentos. Descobri que todos no mundo podem ser humanos… menos você. Construí meu muro à minha volta, até chegar a um ponto onde comecei a não falar com mais ninguém, comecei a tratar meus pais mal, comecei a me isolar de tudo. Foi quando numa aula nada a ver, um professor nos mostrou o The Wall. O filme mesmo, não o disco. Depois de assistir o julgamento dele, eu comecei o meu. Comecei a analisar tudo o que eu tinha feito até então. Minha vida, meus relacionamentos, minha família. Rever tudo o que eles representavam pra mim. Mas a única conclusão que consegui chegar é que eu os amava, mas que eu fazia tanto mal a eles que seria melhor eu nunca ter existido. Naquele final de ano foi quando conheci meu primeiro namorado. Nunca disse a ele que eu o amava, nunca me senti pronta pra isso; mas sempre estive do lado dele pra tudo. Apoiei ele nos vestibulares, comemorei com ele quando conseguiu. Ele me ensinou o que era amar alguém, e esse amar era bem diferente do que eu achava que o amor era. Ele me ensinou que eu não deveria jogar a minha vida fora, como eu já quis fazer tantas vezes. Eu deveria viver, e procurar a felicidade das outras pessoas, ver nisso a minha própria felicidade. Terminei o namoro por começar a me interessar por outros garotos; eu era jovem demais e é difícil entender essa mensagem por completo quando se é jovem demais…
Acabando o momento flashback, hoje namoro um garoto maravilhoso que precisa aprender a ter uma opinião própria mais ativa. Tudo sempre fica bem, desde que não esqueçamos dos nossos princípios e lembremos que amar… é bom demais!

=)
na boa… esse texto tá mto bonito.
Eu lembro disso. =o
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